segunda, 01 de dezembro de 2008 às 19:05

Espernear é preciso

Respondo ao Moita. Costumo é falar de minoria e maioria. Claudio Lembo disse minoria branca. Esclareço: a maioria é submissa, passiva, resignada. A minoria privilegiada, ou aspirante ao privilégio, cuida dos seus próprios interesses e se alimenta do verbo do Jornal Nacional e da Veja. E a maioria que se moa. Há fortes, imperiosas razões para explicar esta situação, como o companheiro Moita deve saber. Não foi e não é assim em todas as épocas e em todas as latitudes. Houve revoluções e levantes populares que deram certo, pelo menos por algum tempo. Houve guerras de independência, aquela que nós não tivemos. Houve guerras de resistência, como a do Vietnã, a envolver uma nação em peso. Houve manifestações maciças e greves gerais para paralisar cidades e países. Isto tudo, diria o ditador Figueiredo, tem cheiro de povo. Acho que o caminho que leva à conquista da consciência é longo e difícil, creio, porém, que o povo brasileiro, ao qual pertencemos, ainda vai chegar lá. De minha parte, consciente da minha cidadania, resisto e esperneio dentro das minhas possibilidades.

 

Comentários

Marko escreveu em terça, 02 de dezembro de 2008 às 13:20:

Bom, qto à guerra d independência - creio q os baianos discordariam em parte rs Infelizmente nos tempos atuais penso q não apenas os Brasileiros sofram d Passividade crônica

Moita escreveu em terça, 02 de dezembro de 2008 às 12:50:

Não há o que discordar de seu comentário. Minhas observações foram apenas duas. Uma a de que, embora passivos e submissos, não o somos mais que a média dos povos (notadas as exceções mencionadas), como as discussões no post anterior davam a entender. A segunda, que nós membros da maioria (o que são, no fundo os aspirantes ao privilégio - falando claro: a classe média) não nos vemos como tais e imitamos essa postura do "que se moa" das verdadeiras minorias (os realmente poderosos economica e politicamente e seus seguidores nas classes médias beeemm altas). Assim, tiramos de nossas costas o peso da responsabilidade pelo estado das coisas do país (pois não seria nossa culpa, mas sim "deles", o povo, que não se ajuda e ainda nos atrapalha). Isso, sim me incomoda e acredito ser parte importante para explicar nossa dificuldade em superar nossa pavorosa desigualdade social. Como superar esta condição? Não sei. Ela advém de muitos fatores, que incluem um lado cultural, a decepção com a política, a própria dificuldade de sobreviver em um país tão duro e um mecanismo de defesa, para aguentar conviver com problemas tão severos sem que se faça, ou se possa fazer, algo. Mas a identificação de todos com a idéia de sermos parte do mesmo grupo (o povo, ou nação) me parece questão central na transformação do país em um lugar mais fraterno e igualitário.

Erik escreveu em terça, 02 de dezembro de 2008 às 12:11:

A grande questão posta é que a burguesia é internacional e globalizada, enquanto do outro lado, os movimentos populares estão muito limitados a uma questão regionalizada. E não precisamos ir muito longe para perceber isso se levarmos em consideração a pressão sobre o Estado para a resolução dessa crise internacioanl.Fica a pergunta: não está na hora de contextualizar essas lutas na perspectiva da internacionalização, não desconsiderando logicamente as questões regionais como plano de ação importantes para a mobilização? Acredito que a internet desempenharia um importante papel nesse processo de mobilização e organização.

Alexandre Gil escreveu em terça, 02 de dezembro de 2008 às 10:16:

Não é o caso de Cláudio Lembo falar sobre etnicidade e sim sobre características culturais, mesmo porque raça não é um termo exato para designar brancos e pretos, desde já entendidos como iguais. Há divergências culturas entre os vários brasis e o caro Mino Carta não discorda disto quando se declara um "lobo solitário" em busca de alguma cidadania. Quando a maioria silenciosa e pacífica vai ajudar essa minoria, que não é necessariamente leitora da Veja e Jornal Nacional, na criação da acalentada cidadania? Ainda esperamos por mais engajamento nas lutas da sociedade brasileira.

Mendes escreveu em terça, 02 de dezembro de 2008 às 10:15:

Caro Mino, com este teu comentário concordo plenamente e aplaudo - evidentemente que meus pobres aplausos não valem grande coisa - mas além disso resolvo também com meus botões indagar-lhe: qual seria o papel do PT e doutros partidos para conquistar seus direitos, mesmo que muito atrasados, aqueles direitos ecoados na revolução francesa, americana e no Estado de Bem-Estar Social. Quem sabe algo além? Sonho em demasia?

luca escreveu em terça, 02 de dezembro de 2008 às 09:54:

Bom dia Mino, Espernear contra as injustiças, se revoltar contra os abusos, fazer valer o respeito das leis diariamente, reclamar e contrastar a arrogancia cotidiana isso é importante,uma ação de cidadania. O nosso dia dia é permeado por uma serie de situações que pedem a nossa reflexão e reação. Informar-se é imperativo, agir e atuar de consequencia é ser cidadão. A partir disso muitas coisas acontecem. Um abraço

Fábio de Oliveira Ribeiro escreveu em terça, 02 de dezembro de 2008 às 09:16:

OK e trate de continuar esperneando. Porque se você parar seus leitores é que vão espernear: "Porque parou Mino?" "Mino, porque parou?" Pé no acelerador Mino, pois a História, que lá fora nunca para, cá anda estacionada no século XIX. E olhe que estou sendo otimista, porque quando estou deprê ainda consigo ver um senhor-de-engenho aqui, outro capitão-do-mato acolá...

Luis Armidoro escreveu em terça, 02 de dezembro de 2008 às 08:05:

Mino, vc não acha que apenas uma guerra civil, ou outro cataclisma, via mudar o estado de coisas no Brasil? Não conehço História muito bem (sou engenheiro), mas não foram as guerras que exterminaram as elites européias e permitiram a refundação de vários países? Um abraço

Márcio Rodrigues escreveu em terça, 02 de dezembro de 2008 às 02:00:

Caro Mino, tenho a nítida impressão de que estamos todos sendo protagonistas de um grande momento político-socio-econômico histórico no Brasil, inédito e inusitado. O modelo de república, que nos faz reféns do eterno continuismo da mesmice, agora, afeiçoa-se mais agonizante do que nunca, transpirando decadência terminal por todos os seus poros, mantido vivo até aqui apenas por conveniência e interesses financeiros imediatistas do establishment financeiro-partidário-eleitoral-midiático, que opera divorciado dos reais interesses e sentimentos do povo brasileiro. A população, por sua vez, já da mostras, a olhos vistos, que vive em permanente estágio pré-revolucionário, sem precedentes, à procura do Projeto de Revolução, que também já existe, tem nome e até paternidade (PNBC), carente apenas de visibilidade e adesão popular, que pode ser conquistada até em três meses de exposição, via campanha eleitoral, pela TV e Rádio, para o azar dos continuistas da mesmice (Dilma/Serra/Aécio/Ciro...). Portanto, se cada cidadão, consciente e indignado com tanta patifaria político-partidária-eleitoral, fizer a sua parte, estimo que, em 2010, o Bicho pode pegar as raposas felpudas do Brasil, com certeza, no voto, pacífica e democraticamente, porque chega dos mesmos e porque evoluir é preciso. E basta o Povão deixar de ser cordeiro e virar Leão, para o bem da maior e mais completa Revolução a ser registrada na História deste País. A Revolução Pacífica do Leão

 

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Mino Carta dirigiu as equipes criadoras do Jornal da Tarde e das revistas Quatro Rodas, Veja, IstoÉ e CartaCapital, da qual é diretor de redação.

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